
Planejou para a última sessão do ano, no dia 23 de dezembro, seu retorno triunfal à cidade. Faria, junto a seus amigos mais próximos, “todos músicos da maior qualidade”, um concerto defronte ao cinema. Mas um concerto tão grandioso, que seria impossível ouvir o som do filme. No dizer de Francisco, um presente aos moradores de Mirada das Rocas. Postou-se atrás de uma árvore na praça central e, tão logo iniciou a sessão, fez sinal aos músicos para que se aproximassem. No programa, constavam peças de Beethoven, Bach, Mozart, Brahms. Planejara tocar enquanto durasse a exibição do filme. Antes, porém, de terminar a música escolhida para abrir a apresentação, a Nona de Beethoven, a turba enfurecido saía pela porta do cinema em sua direção, arremessando-lhe impropérios, pedras, frutas e pipocas. Só quando Francisco conseguiu desvencilhar-se da confusão foi que percebeu que lhe haviam quebrado o arco do violino.